quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LANCE! Opina: Não basta punir o Corinthians!

LANCEPRESS! - 22/02/2013 - 00:28 São Paulo (SP)

HOME - Torcida do Corinthians na Bolívia (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)
Torcida do Timão no dia da tragédia em Oruro (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

É absurdo tratar a morte do jovem torcedor boliviano como caso isolado, uma mera fatalidade. Não é. Assim como o vândalo que apontou o rojão para a torcida adversária sem medir as consequências de seu ato está muito longe de ser o único culpado dessa história.

A atitude do torcedor (ou torcedores) que provocou a morte do rapaz é indesculpável. Como tantas outras que geram violência nos estádios – felizmente sem vítimas fatais. É impossível ignorar, contudo, que outros responsáveis pela tragédia de Oruro sequer estavam ali.

Eles habitam os gabinetes refrigerados da Conmebol, das confederações da América do Sul. A politicagem dessa gente, o jogo baixo do poder, a tolerância cúmplice com todo tipo de atitude antiesportiva que alimentam esse tipo de barbárie. Para não contrariar aliados e perpetuar-se no poder, a cartolagem latina sempre se calou, fechou os olhos para o que deveria tratar com mão firme.

A Libertadores é a Copa do Vale Tudo. É a Copa da Impunidade. Das garrafas e pilhas lançadas sobre os jogadores na cobrança de escanteio aos ônibus depredados próximos aos estádios; dos tumultos em vestiários antes e depois do jogo ao confronto de torcidas, tudo é visto como "normal". Inclusive pelos clubes, e por parte da mídia. "Isso é Libertadores!", quantas vezes você não ouviu essa expressão em tom ufanista?

Isso não pode ser mais a Libertadores, que ninguém se iluda.

O futebol sul-americano tem de mudar. Passar por limpeza, sacudir o mofo entranhado em suas estruturas. Apesar de todas as mazelas de governos populistas, poucas regiões do mundo têm crescido tanto quanto a América Latina. E o esporte tem de acompanhar esse processo.

Este LANCE! já demonstrou, em série de matérias, o abismo que separa, na organização e nas cifras, a Libertadores da Liga dos Campeões. Abismo que só pode ser reduzido com moralização, decisões transparentes e profissionais, indispensáveis para atrair a confiança de público, investidores e patrocinadores.

Na Europa, como mostrou o LANCE!Net nesta quinta-feira, os dois times seriam punidos. O clube da casa, por não organizar a segurança, perderia mandos entre outras penas. O visitante poderia ser excluído da competição por vários anos.

Mas, para chegar-se a tanto, criou-se condições de segurança, investiu-se em equipamentos e práticas capazes de assegurar a paz nos estádios, criou-se um conjunto sólido e transparente de normas e exigências a serem cumpridas.

A dura punição imposta ao Corinthians, com a proibição de público em seus jogos por 60 dias, pode representar uma mudança de postura do lado de cá. É uma pena forte, mas racional. Falar em banir o campeão do mundo dessa Libertadores, pelo ato estúpido de um ou mais vândalos, era ação casuístico, movido pelo calor da tragédia e não por bom senso ou princípios morais e jurídicos que norteiam o futebol daqui.

Mas punir não basta. O que a Conmebol precisa – e não é com Nicolas Leóz e seu bando que vai conseguir – é criar e fazer cumprir uma legislação rigorosa e sustentada, um código de conduta ética e disciplinar que efetivamente mude a cara dos campeonatos que organiza. À Fifa cabe intervir para assegurar isso. Uma decisão séria, algo que funcione de verdade, às claras, e não seja, como esse Tribunal recentemente criado parece, apenas uma instância para acomodar interesses e continuar a jogar sujeira para baixo do tapete.

E você, torcedor? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.



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